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O ideólogo

01
Ago18

No melhor pano cai a nódoa

Idiólogo

      A minha posição sobre o caso de Ricardo Robles é a mais natural possível. Não vou discutir se é hipocrisia, se foi esquecimento ou mera desvirtuação de critérios. Certo é que é algo que não me deixa confortável como agente político. As taxas de abstenção têm crescido face ao trato que tem sido dado por cada político e que não evita cometer erros sucessivos. Alguns graves, com direito a crime, outras, como a que em causa. São sempre eticamente reprováveis.

   O BE é uma força política que teve nomes que foram face de muitas mudanças a nível politico. Todos nós temos, como humanos, temos defeitos, deslizes ou má gestão de maus momentos. Poucas foram as guerras que o BE se viu envolvido com problemas quanto à sua ética e moral. Ao contrário, o BE viveu com base em "cadáveres" de alguns casos em que a seriedade política e pessoal do visado era posta em causa. Sempre se mostrou o mais moralista dos partidos, e sempre achou que a sua moral partidária seja suficiente para julgar actos de terceiros.

    Ricardo Robles deu a cara nas críticas a Medina quando o mesmo foi chamado a falar sobre uma casa vendida. Pode não ter tido a tamanha lata de Joana Amaral Dias, nem ido tão longe, mas foi crítico. O BE apelidou Medina de agente ao serviço da especulação, é contra o arrendamento para short time e usou esse discurso para arrecadar os votos junto a quem vive um momento dramático e especial no contexto do mercado imobiliário em Lisboa. Robles usou e abusou do discurso anti mercado, anti ricos, demonstrando o horror ao enriquecimento pelas vias transparentes. Foi esse o discurso de Robles, é esse o discurso do BE.

Não vou dizer, em momento nenhum, que Robles se deve demitir, mas que o BE deve uma reflexão política e uma alternativa aos seus discursos. Neste caso foi se enrolando mais atacando tudo e todos e desculpando com uma argumentação que só serve a consciência dos bloquistas mais tendênciosos. Li de tudo um pouco e quase nada foi rigoroso, nada foi uma reflexão á falta de coerência política que tanto o Bloco criticou á direita, ao PS, a Medina, a Rui Tavares, a ex militantes como Ana Drago, Daniel Oliveira entre outros. Abusou das acusações de falta de ética de quem se cruzou. Hoje teve o mesmo prato frio, mas ao contrário dos outros que tanto criticou, hoje o moralismo virou puritanismo.

Compreendo que a falta de discurso e de reflexão ideológica faça grande maioria dos militantes do BE assumir as posições políticas da direção. A falta de massa critica que foi sendo extinta do BE, hoje faz falta para por fim a esta polémica, que ao contrário do que o BE diz, é um assunto sim.

Não é os esclarecimentos do Robles ou as palavras da Catarina Martins que vão por cobro ao assunto. Da mesma maneira que outrora as palavras dos visados pelo BE não tiveram o mesmo crédito. A ausência de argumentos leva a argumentos ainda mais estéreis. A não ser que sejam estúpidos, ninguém colocou em causa se alguém de esquerda pode ou não ser rico. Eu sou de esquerda, sou classe média e vivo bem. Não é dizer que o prédio não foi vendido ou que existem rendas de 170€, não é dizer que é um não assunto ou estapafúrdiar as letras garrafais na ofensa á opinião que vai retirar qualquer erro crasso de Robles durante este processo. Esteve mal, e estará se mantiver a sua linha de pensamento que nada o afeta.

Ricardo Robles não cometeu qualquer crime, não foi menos transparente, não deve ser investigado ou teve qualquer conflito de interesses. Ricardo Robles não foi coerente com o seu discurso de repúdio ao mercado imobiliário, assumiu a cabeça unilateralmente de uma guerra contra a especulação imobiliária enquanto isso tinha um prédio á venda por 5,7 milhões de euros destinado para arrendamento de curto tempo. Ricardo Robles defendeu o contrário da sua atitude. É a ética de Robles e do discurso do Bloco que afunda com um jogo de batalha naval. É o puritanismo e a moralidade acima dos outros que cai. E não é dizer que o problema não é político que ajuda. O problema é político porque envolve uma figura eleita por um escrutínio público a quem deve respeito, pelo discurso de moralidade e puritanismo anti tudo o que envolva dinheiro.

A ética, ou a falta dela, nos agentes políticos é um problema político sim.

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